segunda-feira, 19 de abril de 2010

Aqui jaz um emprego

Estava lendo outro dia, uma reportagem sobre o futuro das profissões. Nesta matéria, falava-se sobre o rumo das carreiras profissionais e sobre o fato de o emprego formal e de longa permanência nas empresas, estar com os dias contados. Então, me perguntei, será que os profissionais estão preparados para essa mudança?

Calma! Não se trata de um complô para prejudicar os trabalhadores e aumentar a fila de desempregados no país. Mas sim um movimento evolutivo que, cada vez mais contempla as contratações por projetos. Nesse novo cenário, aumenta a procura por profissionais especialistas em áreas específicas que aceitem contratos de trabalho por tempo determinado; o tempo de um projeto em cujo qual, ele entre com seu know how e/ou sua força de trabalho. Este tipo de proposta de trabalho flexível é mais confortável àqueles profissionais que têm o controle da própria carreira e que, portanto, têm objetivos claros com relação ao seu futuro profissional.

De certa forma, penso que isso pode ser uma oportunidade para profissionais com mais idade, que acumularam mais experiência. E, ao mesmo tempo, exige dos mais novos, maior preparo para garantirem uma oportunidade nesse mercado tão concorrido.

Tenho alguns conhecidos que, temendo a perda de espaço no mercado, optaram por buscar concursos públicos, visando a tão sonhada estabilidade. Coincidentemente, todos pertencentes à geração X (nascidos entre o final dos anos 60 até 1980). Talvez tenham herdado da geração de nossos pais, aquela necessidade de segurança, caracterizada pelo desejo de encontrar uma empresa que os receba e, na qual possam permanecer muito tempo, serem reconhecidos e recompensados pelos anos de trabalho (e não por suas competências). Muitos, magoados com o não reconhecimento por seu empenho, ao invés de buscarem entender o que falta desenvolverem ou estudarem, preferem deixar as empresas privadas e passam a buscar a segurança, por vezes, estagnadora, de um emprego público.

Muito mais alinhada com a expectativa do mercado, chega com tudo na concorrência, a geração Y (nascidos entre 1981 e 2000). Sedenta por crescimento rápido e, por isso muito mais preparada tecnicamente. Além, é claro, de estar mais disposta a correr riscos. Dado esse, que a coloca em condições de encarar os desafios dessa nova realidade profissional.

Você está preparado para essa nova realidade? Independente de qual seja a geração em que você nasceu, avalie a quantas anda a sua empregabilidade. O que o mercado em sua área de atuação tem lhe pedido e você, por vezes, insiste em acreditar que não precisa desenvolver? O mundo do trabalho é competitivo sim, privilegia os mais preparados e, tem excluído sem dó, os profissionais que pararam no tempo. Lembre-se, não há lugar no funcionalismo público para todos que o desejam. Sem contar que também é muito concorrido.

Pense no que você quer para sua carreira e corra atrás de se preparar, pois a qualquer momento o seu emprego pode deixar de existir.

sábado, 27 de março de 2010

Fale sempre que um banco te apertar

Estava eu, sentado na poltrona de um ônibus, indo para São José dos Campos, ministrar um treinamento; pensando em como começar esse texto que fala sobre assertividade. De repente, uma daquelas pessoas bem folgadas que deitam o banco da frente com tudo, sem se preocupar se vai te incomodar, prender suas pernas ou deitar no teu colo, se inclinou de uma só vez, me imobilizando. Depois de alguns segundos de irritação, encontrei a resposta ao meu questionamento inicial. Pensei “se quero escrever sobre assertividade, vou começar, exercitando minha assertividade”. Então, chamei-o e pedi que inclinasse menos o banco.

Para aqueles que não conhecem o termo, assertividade define o uso adequado da comunicação em prol de defender seu ponto de vista ou seu espaço físico ou emocional. Implica em dizer ao outro o que pensa, sem recuar e nem agredi-lo.

Num primeiro momento, ao sentir o banco prender minhas pernas, pensei no absurdo desse comportamento e me agitei na esperança de que, ao sentir meu joelho em suas costas, se tocasse e me soltasse, sem que eu precisasse falar. Não deu certo. Então, senti raiva e quis me mexer mais pra ver se o irritava. Mas logo compreendi que não resolveria. Por um instante, quis deixar pra lá e agüentar, afinal seria uma viagem curta e não valia a pena arrumar confusão. Então, pensei no desconforto físico que sentiria durante a viagem e no desconforto emocional que me acompanharia por muito tempo depois que a viagem acabasse, por não ter falado o que estava sentindo. Então, falei “amigo, pode por favor, erguer seu banco, ele está prendendo minhas pernas.” Ufa! Me senti melhor; por poder me mover e, principalmente, por ter falado o que eu queria.

Já pensou em quantas vezes você vivencia situações como esta em sua vida pessoal ou na empresa? Quantas vezes você se sente agredido pela fala ou comportamento de alguém e se omite? Deixa passar por medo de expor o que pensa ou por receio de ser ofensivo ou mal compreendido. Ou ainda, quantas vezes sente o sangue subir a cabeça e deixa sair o que está sentindo, do jeito que está sentindo e se arrepende depois?

Procure pensar em como você tem conseguido comunicar o que pensa e sente! Avalie, se tem conseguido ser assertivo. Se tem saído das situações com raiva de si mesmo porque não teve coragem de dizer o que sentia, você foi passivo. Se, ao sair da conversa, seu interlocutor saiu magoado, ofendido e você com sentimento de culpa pela forma como se expressou, você foi agressivo.

Quando tiver uma conversa difícil pela frente, na medida do possível, faça uma pausa para pensar no que quer e, em como quer dizer. Em geral, esse exercício, antecipa algumas possíveis sensações de desconforto e, por conseqüência, oferece a possibilidade de pensar em formas de lidar com elas.

No caso de conversas ou situações inesperadas, quando não for possível se preparar, tente não responder. Se a situação permitir, saia de perto, avalie suas emoções e, quando estiver mais seguro, chame a pessoa para outra conversa e dê sua mensagem.

O ideal é que você saia da conversa sentindo-se bem, por ter expressado o que sentia e o outro saia inteiro, sem a sensação de que sua fala o destruiu. É preciso exercitar, para comunicar-se de forma adequada. Para muitos, não é fácil, mas o prazer de se expressar e ser compreendido plenamente, é compensador.

Seja assertivo! Fale sempre que sentir que há um banco lhe apertando.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Direito a busca dos objetivos

Como primeiro artigo do meu blog, pensei em ter algo que fosse interessante, agradável de se ler e que trouxesse a noção de que é um momento inaugural. Resolvi escrever sobre objetivos.
Trabalhei durante 22 anos em empresas privadas. Inicialmente, muito novo, trabalhei naquilo que surgia. E, depois de formado, surgiram as oportunidades na área de Recursos Humanos. Dito assim, parece que foi uma transição fácil e muito linear. Tive muitos altos e baixos e me lembro, ainda adolescente, de sentar na cama pela manhã e, meio sonolento, me perguntar “até quando vai ser assim?”. Me incomodava a idéia de trabalhar em coisas que não me agradavam, pois como boa parte dos brasileiros, ao invés de escolher o que queria fazer, eu era escolhido pelos empregos. É o que a necessidade permitia...
Minha primeira pergunta para reflexão é: Até que ponto vale o desgaste de realizar um trabalho que não lhe agrada?
Eu vi alguém dizer, certa vez, numa entrevista que, a maior qualidade do brasileiro é a capacidade de se indignar. A pessoa referia-se a indignação, como o passo inicial para a mudança. Mais do que se indignar, eu penso se não se faz necessário visualizar um local melhor para estar. Afinal, de que adianta a indignação de ficar, se não vier acompanhada do ímpeto de não mais estar?
Considero válido permanecer em situação desfavorável, se essa condição servir para aproximar a pessoa de um objetivo maior. No entanto, para muitos, parece que indignação e objetivos não são aliados. Para sair do lugar, é preciso sonhar e visualizar algo melhor. Porém para isso, é preciso um tanto de ousadia e acreditar que este sonho, por mais arrojado que pareça, pode ser alcançado.
Tudo bem... indignação parece já ser um direito adquirido por muitos, mas quantos se permitem sonhar com algo melhor? Sonhar é o primeiro passo para o estabelecimento de objetivos. E, a busca dos objetivos é que legitima minha indignação. Hoje posso afirmar que andei um bocado desde aquela época em que me sentia incomodado com meu trabalho da adolescência. Mas nem penso em parar, ainda há muito pela frente, e já tratei de me indignar com algumas coisas, só para não esquecer dos meus objetivos.
E você, está feliz com sua atual condição de vida e de trabalho? Sente ou já sentiu a tal indignação brasileira? Se sim, o que faz com ela? Alimenta seu desejo de crescer e de conquistar tudo o que deseja ou, fica no mesmo lugar alimentando sua gastrite e se preparando para cultivar uma úlcera?
Bem vindos ao Canal Desenvolver!