domingo, 23 de janeiro de 2011

Conduzindo a vida no novo ano

2010 se foi. E, passou tão rápido que quase não pudemos acompanhá-lo. Por pouco, ele não passa por nós e não nos leva. Na verdade, sempre tenho a sensação do ano, como uma condução que, só vai nos levar se nos dispusermos a isso.

Já encontrou amigos, daqueles que você só vê uma vez no ano e, teve a impressão que, entra ano sai ano, e eles continuam no mesmo lugar? É como se estivessem na plataforma do metrô e, apesar de vários trens passarem, a pessoa não embarcasse em nenhum; apesar de ter possibilidade. Porque é isso que acontece. Deixando de lado as analogias, sempre temos a possibilidade de mudar tudo em nossa vida, virarmos a mesa, mesmo. Sabe aquelas promessas que boa parte de nós faz quando um novo ano começa? Em geral, surgem a partir da constatação de que algumas coisas não nos agradaram no ano anterior. Fazer esse balanço das realizações do ano que termina é muito bom e saudável. O que não me parece apropriado é não fazer nada para mudar o que você já constatou que não lhe agrada.

Perceba, que me refiro às coisas que, verdadeiramente, incomodam.

Há coisas que acontecem de determinada maneira e, preferíamos que ocorressem de outra. Tudo bem. Guilherme Arantes já dizia “infelizmente, nem tudo é, exatamente, como a gente quer”. Agora, se me incomodam os caminhos que percorri durante o ano; se as circunstâncias em que as coisas aconteceram ou o resultado me desagradam, vale pensar, o que posso fazer de diferente para alcançar resultados mais satisfatórios?

A indignação é o ponto de partida para as grandes transformações.

Sim, porque só se mantém empenhado em alcançar um objetivo, quem, diariamente, se lembra do quanto incomoda continuar como está. A chegada do ano novo, nos traz essa condição. A intensidade do desejo de mudança aumenta, consideravelmente, nesta época, já que pensamos com veemência em tudo que queremos afastar de nossa vida (indignar-se com).

Todos sabemos nos indignar. Não requer prática, nem habilidade. Seja com a situação do país, com condições de trabalho ou outros aspectos que permeiam nossa vida. Para promover mudanças em quaisquer desses setores, basta deixarmos de entender a indignação, como algo natural e corriqueiro. Se te agride, porque não mudar? E, se diz respeito a sua vida, então, está mais fácil ainda de resolver. Pense em tudo que quer melhorar e reflita sobre o que pode fazer para que isso aconteça. Tente não se boicotar, fazendo mais do mesmo. Se deseja resultados diferentes, busque formas diferentes de conduzir as situações já conhecidas. Faça por onde ter outras histórias para contar quando o final deste ano chegar.

Feliz 2011!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre política e profissionalismo

Conversei com dois grandes amigos dia 31/10 à noite. Logo após o comunicado oficial do resultado da eleição. Um deles sempre manifestou um posicionamento contrário ao do partido eleito. Fazia militância, levantava bandeira do outro candidato e tudo o mais. Ele estava bastante incomodado com o resultado e dizia que torceria para que “a pouca capacidade administrativa da candidata eleita se revelasse”. Meu outro amigo, embora também compartilhasse dessa opinião, não expressou a mesma decepção.

Eu buscava entender melhor essa diferença de reação, quando ouvi algo que vou guardar para sempre. Meu pacífico amigo, disse o seguinte: “Tenha eu, votado na candidata eleita ou não, o fato é que ela ganhou e, assim, tornou-se minha presidente também. Logo, agora só me cabe torcer e colaborar para que as coisas dêem certo para ela”.

Isso me fez pensar não só sobre meu magoado amigo, mas também nas tantas pessoas que encontramos pela rua, nas filas, nas conduções, que falam mal do governo (do atual e de tantos outros) e que  desejam com tal afinco que as coisas dêem errado, que até parece que estão falando do país vizinho. É como se todo azar que desejam  ao governante, não os atingisse. Aparentemente, falam de um outro Brasil, distante do deles.

Possivelmente, seja com estas mesmas pessoas que nós esbarramos nas organizações, todos os dias. Estão sempre certas de que, quando o que consideram bom para a empresa, não acontece, ela passa a correr risco de abrir falência.

Já viu aquela situação em que um gestor aprova a implantação do projeto de um analista da equipe, ao invés, do outro? Ou, aquela em que um integrante da equipe é promovido a gestor, ao invés de outro? Situações como estas e tantas outras semelhantes, acontecem todos os dias. Isso é comum. Da mesma forma comum, é a existência de pessoas que torcem pelo fracasso do Brasil e pelo fracasso da empresa.

Quantos colegas seus, você já deve ter visto, torcendo e, às vezes, conspirando para que as coisas saiam erradas no novo projeto, já que o seu não foi escolhido? E, quantos, você já não viu, rejeitando a nova gestão, pelo simples fato de não concordarem com a promoção?

Bom, as coisas mudam, projetos começam, terminam, as pessoas mudam de lugar, enfim, tudo se movimenta o tempo todo dentro das organizações. Mas uma coisa não muda: as empresas continuam querendo aumentar seus lucros, melhorar sua posição frente a concorrência e crescer. E, para tanto, necessitam de profissionais focados, que busquem colaborar para o alcance desses resultados.

Mas como é possível ser este profissional, quando a todo momento, me esqueço de minhas metas e trabalho para boicotar a empresa em que trabalho?

Sim, pois se toda vez que algo me desagradar, eu expressar desconforto e me posicionar contrário, perderei o foco em meus objetivos e trabalharei para destruir a empresa que me emprega. Não há como querer o fracasso de um projeto, no qual a empresa esteja investindo, sem querer também o mal desta empresa. Assim como, não há como desejar o fracasso de um governo, sem querer o mal do país.

Para aqueles que desejam o crescimento do Brasil e da empresa em que trabalham, vale pensar. O exercício da democracia traz, consigo, uma grande oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Trabalhar para o bem comum implica em deixar de lado aquilo que preferimos, para investir energia no sucesso do projeto da vez – gostando dele ou não. É esse que tem que dar certo, já que é com esse que a empresa/o Brasil conta no momento. É fácil ser otimista e colaborativo quando é a nossa vontade que prevalece. Busque trabalhar em prol da organização.

É disso que o Brasil precisa. É isso que o mercado procura.

domingo, 31 de outubro de 2010

Foco no que interessa

Meus amigos são uma fonte inesgotável de inspiração para meus artigos. Conversando, outro dia, com uma amiga de muitos anos, tive algumas reflexões interessantes.

Trabalhei com ela anos atrás e naquela época ela era meio pavio curto. Não levava desaforo pra casa. E não importava quem fosse e que cargo tivesse; se ela se sentisse agredida ou injustiçada, devolvia. Naturalmente, nem sempre a resposta saia da melhor maneira... Na verdade, na maioria das vezes, não.

Para tornar mais claro o tema que quero abordar, vou dar um exemplo dessa pessoa. Ela era analista de RH em uma grande empresa e tinha sob sua responsabilidade, um projeto interessante de plano de carreira para a equipe de uma área operacional. Ao apresentar seu projeto ao seu gestor, este fez várias considerações. Algumas pertinentes e outras não, segundo a avaliação dessa analista. Além disso, não considerou adequada a forma como este gestor se referiu a ela e ao projeto. Então, ela fechou a cara e retrucou, secamente, a dois ou três comentários de seu gestor. Embora minha amiga, desde essa época já fosse muito boa profissional, acabava perdendo o foco que era implantar o projeto e buscar os resultados e, passava a tomar atitudes com o objetivo de mostrar que estava certa. Não se conformava em apresentar um projeto tão bom e não vê-lo implantado e, não se conformava em não ter o reconhecimento, já que o merecia.

Quando se veste a camisa de uma empresa, ganha-se uma insígnia e a missão de defender os interesses desta instituição. Essa é uma tarefa muito difícil, porque algumas vezes precisamos deixar de lado nossos próprios interesses. Muitos profissionais passam anos sem compreender com clareza, o propósito de seu trabalho e, portanto, qual o resultado que deverão entregar. E, se isto não estiver claro, por vezes, perdemos o foco.

Quando minha amiga se deixou irritar pelo comentário de seu chefe, esqueceu, momentaneamente, do valor de seu belo projeto e do quanto sua implantação traria benefícios para a empresa e para as pessoas.

Alguns podem estar se perguntando, agora “...mas, Sérgio, que diferença faria pensar nisso, já que o gestor havia vetado o projeto?”

Vou responder, contando uma outra passagem desta mesma amiga. Hoje, ela é gerente de RH e continua tendo alguns projetos vetados pelo seu chefe (atualmente, o presidente da empresa). Contudo, hoje ela compreende que ouvir um “é mesmo, você estava certa” ou “é verdade, você tem razão”, não é o mais importante. Quando um projeto seu é recusado,  busca entender o que não está bom. Então, volta pra sua mesa e trabalha em sua melhoria. Ou ainda, espera um outro momento e, com mais embasamento, apresenta-o novamente. Às vezes, apresenta uma, duas ou três vezes, porque conhecendo bem a área e o negócio da empresa, não tem dúvida de que isso colaborará com o crescimento da organização.

Certa vez, chegou ao cúmulo de ouvir de seu chefe “tive uma ótima idéia para resolvermos aquele problema”, tratava-se de seu projeto, narrado por ele com se fosse de sua autoria. Certamente, não foi algo agradável de se ouvir e nem eu tenho a intenção de valorizar tal comportamento. Quero sim, destacar que o projeto foi implantado e era tão bom e necessário, que minha amiga não se importou que, para viabiliza-lo, precisasse abrir mão dos louros. O foco de seu trabalho, hoje, está no alcance dos resultados, em sua entrega. Ela sabe o que precisa fazer e o faz.

E, você? Onde está o foco de seu trabalho?

Pense nisso e, me diga se faz sentido para você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Carreira: Causa ou Consequência?

Ao iniciar a vida profissional, muitas vezes, as pessoas têm como motivação, suprir as necessidades básicas para sobrevivência. Isso acontece com a grande maioria dos brasileiros e significa que, em geral, as pessoas não começam a trabalhar porque querem, mas sim, porque precisam. E, comumente, quando a necessidade aperta, não sobra muito tempo para avaliar e escolher a atividade profissional que mais agrada a pessoa. Aliás, entre as camadas C e D da sociedade, já se programa que, tão logo seja possível, os filhos comecem a trabalhar para ajudar nas despesas da casa. A respeito dessa realidade, o fator idade e falta de experiência também afetam, consideravelmente, o poder de escolha do jovem em início de carreira. Eu costumo dizer que no começo da minha carreira, eu não escolhia os empregos, eram os empregos que me escolhiam.

Este cenário sócio-econômico pode trazer como resultado, a falsa compreensão de que a carreira profissional é uma conseqüência das circunstâncias, o que não é verdade! Uma pessoa não tem que seguir trabalhando naquilo que lhe apareceu no início, pelo resto da vida, só porque começou assim. Pense, dentre todas as relações que estabelecemos ao longo da vida, a relação profissional é aquela, na qual permanecemos mais tempo.

Buscando exemplos em outras relações duradouras, para esclarecer melhor o que quero dizer, me ocorreu o casamento. Para grande parte das pessoas, a vida profissional começa quando ainda são solteiros, se prolonga durante a vida conjugal e, muitas vezes, o casamento acaba, mas permanece a necessidade de trabalhar. Logo, a relação com a carreira profissional, consiste num tipo de “matrimônio” e, esteja dando certo ou não, precisaremos continuar “casados“.

E, porque não fazer esse casamento dar certo?

Pense que, ter uma carreira sólida e, financeiramente, bem sucedida, pode não significar, ser um profissional realizado. Assim como, ter um casamento duradouro, não significa, ser feliz no casamento. Contudo, em geral, sucesso profissional e satisfação, costumam andar juntos. Mais do que isso, é a satisfação de fazer o que gosta que, normalmente, conduz ao sucesso profissional.

Muitas pessoas fazem maus casamentos e, ao se perceberem dentro desta relação, se esforçam por faze-la dar certo. O problema não está no movimento de “fazer dar certo”, ma sim, na compreensão do que se considera “dar certo”. Ser duradouro não significa que deu certo. Então, lutam para manter uma relação que, no fundo, gostariam que acabasse. Com o trabalho é a mesma coisa.

Preste atenção aos sinais. Se, ao ouvir a música de encerramento do Fantástico, domingo à noite, você sofre pensando “...que droga, o final de semana acabou e amanhã já é segunda-feira...”, tem alguma coisa que não vai bem. Pode ser com a empresa em que você trabalha. E, neste caso, se resolve mudando de emprego. Porém, pode ser maior que isso. Você pode não estar confortável com sua carreira. E aí, não bastará procurar outra empresa, se for para fazer a mesma atividade.

Proponho compreender a carreira profissional sob uma óptica diferente. Ao invés de aceitar exercer uma atividade profissional que não satisfaz só porque, no início, foi o trabalho que surgiu, tente pensar naquilo que gosta de fazer. Conheço pessoas que transformaram seu hobby, ou mesmo aquela atividade que alivia seu stress, em sua atividade profissional.

Imagine a carreira como mola propulsora de satisfação. Sua escolha, seja qual for, determinará como serão os próximos anos de sua vida. Trabalho não tem que ser um castigo. Pelo contrário, deve proporcionar sentimentos de realização.

Um trabalho desagradável causa frustração, além de mal estar físico e emocional. Se você está se “esforçando” para ser um bom profissional e trazer os resultados que esperam de você, pense se a dificuldade não está justamente no fato de você não gostar do que faz. Conheci pessoas com mais de 10 anos de carreira, que tinham em seu discurso “já estou há tanto tempo nisso que agora, tudo que posso fazer é continuar...”. Mas também conheci pessoas que diziam “trabalhei nisso durante anos, porque foi o que surgiu quando comecei, mas agora vou estudar o que eu gosto e começar a trabalhar naquilo que, realmente, me agrada...”.

Num outro texto, eu falei sobre ter coragem de tomar decisões. Suas escolhas profissionais é que determinarão os caminhos que você percorrerá vida afora. Não permita que sua trajetória profissional seja conseqüência de escolhas ruins ou de falta de coragem.

Carreira profissional é o início e não o fim. É a causa de um intenso processo de desenvolvimento e pode trazer consigo uma série de oportunidades.  Porém, se você a construir, seguindo um caminho que não escolheu ou que não te agrada, pode ser geradora de frustração.

Reflita sobre como está sua carreira e, se sentir que é o melhor, não tenha medo de mudar.

domingo, 8 de agosto de 2010

Você sabe tomar decisões?


Reflita um pouco sobre o questionamento feito no título acima. Então, responda. Como você faz todas as vezes que precisa tomar uma importante decisão? Age imediatamente ou adia seu posicionamento? Assume a responsabilidade por suas decisões ou sofre sempre que precisa se posicionar?

Todos os dias, profissionais passam pelo desconforto de tomar decisões que podem mudar o rumo das coisas nas empresas. Desconforto?? Sim, para algumas pessoas, ter o ônus de decidir algo, traz consigo grande ansiedade. Em particular, quando a decisão implica em optar entre duas ou mais possibilidades, essa ansiedade aumenta ainda mais.

Se pararmos para pensar, tomamos decisões o tempo inteiro. Decidimos que roupa vestir, o que comer, o que assistir na TV ou no cinema. Logo, a todo momento, nós temos que fazer escolhas. Entendo que, o grande problema para alguns é que, toda escolha implica em renúncia. Isso mesmo, para decidir por um novo rumo na vida ou para realizar uma nova atividade, preciso abrir mão do desejo e dos benefícios que uma outra decisão me traria.

Pensando nisso, eu pergunto:

Você se sente preparado para tomar decisões em sua vida?

Ao se decidir por algo, fica inseguro, pensando “será que fiz bem?”. Depois de tomar uma decisão, você gasta um tempão ruminando como seria se tivesse tomado uma outra decisão?

Bom, quando nos sentimos assim em nossa vida pessoal, apesar de perdermos muito tempo e de embarcarmos em grande sofrimento, muitas vezes, o prejuízo é só nosso. Contudo, quando levamos toda essa insegurança para nossa vida profissional, podemos promover grande desastre nos resultados de uma empresa.

Para buscar uma solução para esta questão, sem dúvida, o primeiro passo é se perguntar do que você tem medo. E, para auxiliar suas reflexões, seguem alguns possíveis motivos:

- Medo de se sentir incompetente
- Medo de decepcionar o outro
- Medo de represália, bronca ou rejeição
- Medo do arrependimento de não fazer a coisa certa (auto punição)

Poderíamos listar uma série de outros possíveis motivos, mas pensando sobre esses listados acima, o que têm em comum é o medo de não agüentar as conseqüências de uma decisão errada.

Pense, qualquer que seja a decisão tomada, você terá conseqüências. Positivas ou negativas, suas escolhas sempre trarão algum resultado. Porém, é através de um exercício de reflexão prévia, pesando prós e contras, que será possível prever resultados e se preparar para eles. Portanto, baixe a ansiedade e pense, se cabe a você tal decisão (seja ela qual for) talvez seja porque consideram você capaz de resolver.

Seja na vida profissional, ou na vida pessoal, avalie as conseqüências e vá em frente. Sem arrependimentos. A decisão, quando pensada, racionalmente, tende a trazer menor ansiedade.
Faça esse exercício de reflexão para avaliar se seu medo não é infundado. É possível que perceba que está sendo mais severo consigo do que qualquer outro o seria. Mas, independente de qualquer coisa, não deixe de tomar decisões pelo medo das conseqüências. Adiar uma decisão ou deixar de tomá-la, por si só, já será uma decisão. Você terá decidido, deixar que o navio navegue ao sabor das ondas. E as ondas podem te arremessar contras as pedras.

Os rumos que sua vida tomará no futuro dependem das decisões que você tomar hoje. Mesmo que você erre, a experiência já servirá para alertar você sobre o caminho que não servirá mais, ou que exigirá maior atenção da próxima vez.

Vamos imaginar que dê errado... Em boa parte dos casos, o pior que pode acontecer é, justamente, aquilo que você já teme. Afinal, quem é que nunca pintou o demônio pior do que, de fato é? E, se sua mente imagina o pior cenário, não haverá surpresas, não é mesmo? Se você já espera o pior, previna-se e prepare-se para lidar com ele, e não seja pego de surpresa.

Vá em frente!