domingo, 24 de abril de 2011

Você sabe onde quer chegar?

Tempos atrás, quando comecei a pensar numa carreira como palestrante, um profissional experiente na área me disse que seria imprescindível que em minhas palestras, eu falasse sobre um assunto específico. Disse que isso ajudaria a criar uma marca e tornaria mais fácil a compreensão de minha mensagem. Achei uma tarefa difícil, já que tantos assuntos relacionados a comportamento humano, me interessavam. Pensei, inclusive, que comportamento humano fosse já, um tema claro e interessante. Até que uma colega de faculdade me questionou “qual o tema de suas palestras?” e eu tive dificuldade de explicar. Refleti muito sobre o estabelecimento de um foco e sobre a objetividade de minha mensagem. Então, me dei conta que “metas e objetivos”, seriam um ótimo tema. É sobre isso que quero falar hoje.

Estabelecer objetivos ou planejar os resultados que deseja alcançar, são ações de suma importância para o sucesso de uma carreira, mas percebo que nem todos sabem como fazer. Pior do que isso, às vezes, imaginam ter clareza de seus objetivos, mas estão com o foco em outra coisa. Explico.

Você já intencionou alcançar um resultado e teve a impressão de que todos os seus esforços te conduzem noutra direção? Vejamos alguns exemplos.

Conheci muitos professores que tinham como objetivo, “dar aulas”. Estes, frequentemente se irritavam ao se depararem com alunos que tinham maior dificuldade para aprender. Dar aula é diferente de ensinar e termina quando toda matéria é passada. Provavelmente, se tivessem como objetivo, o aprendizado desses alunos, sentiriam-se motivados a buscarem novas ferramentas e estratégias para viabilizar o seu entendimento.

Já vi pessoas que se casam, tendo como objetivo, manter o prazer da vida de solteiro. Estas pessoas, fatalmente, se incomodam com o desejo do cônjuge, de ficar junto. São objetivos diferentes para o mesmo casamento. Por outro lado, se tiverem como objetivo serem felizes juntos, sentirão prazer nos programas a dois e nos planos que os vinculem cada vez mais aos parceiros.

Você já deve ter visto partida de futebol em que um jogador demonstre o objetivo maior de brilhar sozinho. Esse atleta, possivelmente, não enxergue as inúmeras solicitações de seus colegas para passar a bola. Ao passo que, se o objetivo fosse o sucesso da equipe, sem ser solicitado, buscaria armar jogadas envolvendo seus parceiros, se isto aproximasse o time da vitória.

E você, sabe onde quer chegar? Qual é o seu objetivo? Já pensou sobre o assunto? A falta de metas e objetivos na vida pessoal ou profissional, pode fazer com que você não saia do lugar ou ande em círculos. No entanto, ter objetivos equivocados, pode fazer com que você jogue contra, ou seja, boicote a empresa e a si mesmo.

Tenha certeza de que está investindo esforços na direção correta. Para seu conhecimento, estamos falando de um processo que, na maior parte das vezes, acontece inconscientemente. A escolha do foco de nossa energia, em geral, é determinada pelo princípio do prazer. Isto é, somos compelidos a objetivar a satisfação momentânea, imediata. Então, embora saibamos o que deveríamos fazer ou o que é esperado de nós, somos atraídos a buscar o prazer como resultado. E, nem sempre o que gostaríamos de fazer corresponde ao que precisamos fazer.

Por esta razão, a escolha de objetivos precisa passar pelo crivo do racional. Fazer o que preciso, pode me trazer satisfação somente no final. Neste caso, devo considerar como critério na definição de objetivos, o meu senso de responsabilidade, ao invés do prazer. Sempre que se vir confuso, no meio de uma atividade, é importante perguntar “o que, realmente, quero com isso?”.” E, como vou conquistar essa meta?”. Ao passar, previamente, por inspeção metal todo o processo, você evita se perder, torna-se mais claro em seu discurso e ações e evita boicotar seus planos e as estratégias da empresa em que trabalha.

E aí, já sabe qual é o seu objetivo?

terça-feira, 8 de março de 2011

Está disposto a pagar o preço?


Algumas semanas atrás, encontrei com um antigo gestor meu, para um café. Falamos sobre o período em que trabalhamos juntos e sobre o mercado de trabalho, em geral. Após 25 anos de trabalho em Recursos Humanos, ele expressou sinais de cansaço.

Esse meu antigo gestor sempre foi exemplo de bom humor e energia. Podia ser encontrado todos os dias às 7h da manhã na empresa e permanecia até por volta das 19:30h. Empenhou, na construção e consolidação de sua carreira, muitos finais de semana, várias noites de sono e passou muito tempo viajando a trabalho. Abria mão de um convívio mais próximo com a família em prol dos resultados e da realização profissional.

Fez isso durante anos e, de fato, construiu uma brilhante carreira na área. Contudo, embora não olhasse para trás com arrependimento, parou para pensar nos próximos anos e percebeu que não tem mais vontade de se dar nesta proporção ao trabalho. Diz, pensar em começar outro tipo de atividade, já que entende que o mundo corporativo exige entrega, renúncia e dedicação intensas.

Deixando de lado o colorido extra que meu colega atribuiu a esta situação, entendo que ser bem sucedido na carreira, de fato, implique em renúncias.

Você quer se dar bem na carreira? Qual a sua disposição para fazer renúncias?

Na escolha da carreira que quer seguir, assim como do segmento em que vai atuar e das empresas em que resolva desenvolver-se, um profissional precisa por na balança, qual o tamanho de sua disposição pessoal e onde deseja chegar, profissionalmente, ou seja, o quanto deseja crescer.

Muitas vezes, o profissional vislumbra posições lá adiante e se coloca a trabalhar por seus objetivos. Contudo, está tão pouco disposto a atender às solicitações da empresa, que acaba não chegando a lugar algum.

O detalhe relevante desta situação é que, nem sempre essas solicitações são explícitas, portanto, é comum a pessoa não perceber o que esperam dela. E, ao não se dar conta do que a empresa espera dela, sente-se injustiçada com o não reconhecimento de seu esforço. Sim, porque, mesmo não abrindo mão de seus passeios nos finais de semana, e mesmo sem ficar um minuto a mais além de seu horário, é possível que esta pessoa sinta que está dando o seu melhor. Tudo depende do quanto está disposta a oferecer de tempo e dedicação a construção de sua carreira.

Não conheço ninguém que tenha construído uma carreira bem sucedida, sem dedicação. E, essa dedicação, às vezes, nos rouba tempo de nossa vida pessoal. Em começo de carreira, é comum que esse esforço seja maior. Afinal, além das horas de trabalho, da necessidade de conquistar nosso espaço, ainda, dedicamos boa parte do tempo aos estudos. Mas, com o passar do tempo é preciso saber equilibrar as coisas para não sacrificar a vida pessoal e aqueles que nos cercam.

Fica aqui a minha sugestão. Avalie o que você quer de sua vida profissional. Se você não tem foco em carreira, é possível que, com uma dose menor de esforço, consiga alcançar seus objetivos. Caso encontre uma empresa que compreenda da mesma forma, é claro.

Agora, se para você, profissionalmente, o céu é o limite, pense se sua dose de dedicação e esforço está compatível com o status e o reconhecimento que procura. Ao fazer sua reflexão, é bom pensar se está disposto a pagar o preço.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Conduzindo a vida no novo ano

2010 se foi. E, passou tão rápido que quase não pudemos acompanhá-lo. Por pouco, ele não passa por nós e não nos leva. Na verdade, sempre tenho a sensação do ano, como uma condução que, só vai nos levar se nos dispusermos a isso.

Já encontrou amigos, daqueles que você só vê uma vez no ano e, teve a impressão que, entra ano sai ano, e eles continuam no mesmo lugar? É como se estivessem na plataforma do metrô e, apesar de vários trens passarem, a pessoa não embarcasse em nenhum; apesar de ter possibilidade. Porque é isso que acontece. Deixando de lado as analogias, sempre temos a possibilidade de mudar tudo em nossa vida, virarmos a mesa, mesmo. Sabe aquelas promessas que boa parte de nós faz quando um novo ano começa? Em geral, surgem a partir da constatação de que algumas coisas não nos agradaram no ano anterior. Fazer esse balanço das realizações do ano que termina é muito bom e saudável. O que não me parece apropriado é não fazer nada para mudar o que você já constatou que não lhe agrada.

Perceba, que me refiro às coisas que, verdadeiramente, incomodam.

Há coisas que acontecem de determinada maneira e, preferíamos que ocorressem de outra. Tudo bem. Guilherme Arantes já dizia “infelizmente, nem tudo é, exatamente, como a gente quer”. Agora, se me incomodam os caminhos que percorri durante o ano; se as circunstâncias em que as coisas aconteceram ou o resultado me desagradam, vale pensar, o que posso fazer de diferente para alcançar resultados mais satisfatórios?

A indignação é o ponto de partida para as grandes transformações.

Sim, porque só se mantém empenhado em alcançar um objetivo, quem, diariamente, se lembra do quanto incomoda continuar como está. A chegada do ano novo, nos traz essa condição. A intensidade do desejo de mudança aumenta, consideravelmente, nesta época, já que pensamos com veemência em tudo que queremos afastar de nossa vida (indignar-se com).

Todos sabemos nos indignar. Não requer prática, nem habilidade. Seja com a situação do país, com condições de trabalho ou outros aspectos que permeiam nossa vida. Para promover mudanças em quaisquer desses setores, basta deixarmos de entender a indignação, como algo natural e corriqueiro. Se te agride, porque não mudar? E, se diz respeito a sua vida, então, está mais fácil ainda de resolver. Pense em tudo que quer melhorar e reflita sobre o que pode fazer para que isso aconteça. Tente não se boicotar, fazendo mais do mesmo. Se deseja resultados diferentes, busque formas diferentes de conduzir as situações já conhecidas. Faça por onde ter outras histórias para contar quando o final deste ano chegar.

Feliz 2011!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre política e profissionalismo

Conversei com dois grandes amigos dia 31/10 à noite. Logo após o comunicado oficial do resultado da eleição. Um deles sempre manifestou um posicionamento contrário ao do partido eleito. Fazia militância, levantava bandeira do outro candidato e tudo o mais. Ele estava bastante incomodado com o resultado e dizia que torceria para que “a pouca capacidade administrativa da candidata eleita se revelasse”. Meu outro amigo, embora também compartilhasse dessa opinião, não expressou a mesma decepção.

Eu buscava entender melhor essa diferença de reação, quando ouvi algo que vou guardar para sempre. Meu pacífico amigo, disse o seguinte: “Tenha eu, votado na candidata eleita ou não, o fato é que ela ganhou e, assim, tornou-se minha presidente também. Logo, agora só me cabe torcer e colaborar para que as coisas dêem certo para ela”.

Isso me fez pensar não só sobre meu magoado amigo, mas também nas tantas pessoas que encontramos pela rua, nas filas, nas conduções, que falam mal do governo (do atual e de tantos outros) e que  desejam com tal afinco que as coisas dêem errado, que até parece que estão falando do país vizinho. É como se todo azar que desejam  ao governante, não os atingisse. Aparentemente, falam de um outro Brasil, distante do deles.

Possivelmente, seja com estas mesmas pessoas que nós esbarramos nas organizações, todos os dias. Estão sempre certas de que, quando o que consideram bom para a empresa, não acontece, ela passa a correr risco de abrir falência.

Já viu aquela situação em que um gestor aprova a implantação do projeto de um analista da equipe, ao invés, do outro? Ou, aquela em que um integrante da equipe é promovido a gestor, ao invés de outro? Situações como estas e tantas outras semelhantes, acontecem todos os dias. Isso é comum. Da mesma forma comum, é a existência de pessoas que torcem pelo fracasso do Brasil e pelo fracasso da empresa.

Quantos colegas seus, você já deve ter visto, torcendo e, às vezes, conspirando para que as coisas saiam erradas no novo projeto, já que o seu não foi escolhido? E, quantos, você já não viu, rejeitando a nova gestão, pelo simples fato de não concordarem com a promoção?

Bom, as coisas mudam, projetos começam, terminam, as pessoas mudam de lugar, enfim, tudo se movimenta o tempo todo dentro das organizações. Mas uma coisa não muda: as empresas continuam querendo aumentar seus lucros, melhorar sua posição frente a concorrência e crescer. E, para tanto, necessitam de profissionais focados, que busquem colaborar para o alcance desses resultados.

Mas como é possível ser este profissional, quando a todo momento, me esqueço de minhas metas e trabalho para boicotar a empresa em que trabalho?

Sim, pois se toda vez que algo me desagradar, eu expressar desconforto e me posicionar contrário, perderei o foco em meus objetivos e trabalharei para destruir a empresa que me emprega. Não há como querer o fracasso de um projeto, no qual a empresa esteja investindo, sem querer também o mal desta empresa. Assim como, não há como desejar o fracasso de um governo, sem querer o mal do país.

Para aqueles que desejam o crescimento do Brasil e da empresa em que trabalham, vale pensar. O exercício da democracia traz, consigo, uma grande oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Trabalhar para o bem comum implica em deixar de lado aquilo que preferimos, para investir energia no sucesso do projeto da vez – gostando dele ou não. É esse que tem que dar certo, já que é com esse que a empresa/o Brasil conta no momento. É fácil ser otimista e colaborativo quando é a nossa vontade que prevalece. Busque trabalhar em prol da organização.

É disso que o Brasil precisa. É isso que o mercado procura.

domingo, 31 de outubro de 2010

Foco no que interessa

Meus amigos são uma fonte inesgotável de inspiração para meus artigos. Conversando, outro dia, com uma amiga de muitos anos, tive algumas reflexões interessantes.

Trabalhei com ela anos atrás e naquela época ela era meio pavio curto. Não levava desaforo pra casa. E não importava quem fosse e que cargo tivesse; se ela se sentisse agredida ou injustiçada, devolvia. Naturalmente, nem sempre a resposta saia da melhor maneira... Na verdade, na maioria das vezes, não.

Para tornar mais claro o tema que quero abordar, vou dar um exemplo dessa pessoa. Ela era analista de RH em uma grande empresa e tinha sob sua responsabilidade, um projeto interessante de plano de carreira para a equipe de uma área operacional. Ao apresentar seu projeto ao seu gestor, este fez várias considerações. Algumas pertinentes e outras não, segundo a avaliação dessa analista. Além disso, não considerou adequada a forma como este gestor se referiu a ela e ao projeto. Então, ela fechou a cara e retrucou, secamente, a dois ou três comentários de seu gestor. Embora minha amiga, desde essa época já fosse muito boa profissional, acabava perdendo o foco que era implantar o projeto e buscar os resultados e, passava a tomar atitudes com o objetivo de mostrar que estava certa. Não se conformava em apresentar um projeto tão bom e não vê-lo implantado e, não se conformava em não ter o reconhecimento, já que o merecia.

Quando se veste a camisa de uma empresa, ganha-se uma insígnia e a missão de defender os interesses desta instituição. Essa é uma tarefa muito difícil, porque algumas vezes precisamos deixar de lado nossos próprios interesses. Muitos profissionais passam anos sem compreender com clareza, o propósito de seu trabalho e, portanto, qual o resultado que deverão entregar. E, se isto não estiver claro, por vezes, perdemos o foco.

Quando minha amiga se deixou irritar pelo comentário de seu chefe, esqueceu, momentaneamente, do valor de seu belo projeto e do quanto sua implantação traria benefícios para a empresa e para as pessoas.

Alguns podem estar se perguntando, agora “...mas, Sérgio, que diferença faria pensar nisso, já que o gestor havia vetado o projeto?”

Vou responder, contando uma outra passagem desta mesma amiga. Hoje, ela é gerente de RH e continua tendo alguns projetos vetados pelo seu chefe (atualmente, o presidente da empresa). Contudo, hoje ela compreende que ouvir um “é mesmo, você estava certa” ou “é verdade, você tem razão”, não é o mais importante. Quando um projeto seu é recusado,  busca entender o que não está bom. Então, volta pra sua mesa e trabalha em sua melhoria. Ou ainda, espera um outro momento e, com mais embasamento, apresenta-o novamente. Às vezes, apresenta uma, duas ou três vezes, porque conhecendo bem a área e o negócio da empresa, não tem dúvida de que isso colaborará com o crescimento da organização.

Certa vez, chegou ao cúmulo de ouvir de seu chefe “tive uma ótima idéia para resolvermos aquele problema”, tratava-se de seu projeto, narrado por ele com se fosse de sua autoria. Certamente, não foi algo agradável de se ouvir e nem eu tenho a intenção de valorizar tal comportamento. Quero sim, destacar que o projeto foi implantado e era tão bom e necessário, que minha amiga não se importou que, para viabiliza-lo, precisasse abrir mão dos louros. O foco de seu trabalho, hoje, está no alcance dos resultados, em sua entrega. Ela sabe o que precisa fazer e o faz.

E, você? Onde está o foco de seu trabalho?

Pense nisso e, me diga se faz sentido para você.